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Simplesmente Eu, Clarice Lispector

Professor paga meia, mas como não levei o contracheque....Longe de mim lamentar. Valeu a pena....Um espetáculo impressionante. A peça foi extraída de depoimentos, entrevistas, correspondências de Clarice Lispector e trechos dos livros "Perto do Coração Selvagem" e "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres", além dos contos "Amor" e "Perdoando Deus". O monólogo conta a trajetória da escritora em busca do entendimento do amor, de seu universo, suas dúvidas e contradições. 
A direção, adaptação e interpretação é de Beth Goulart, sob a supervisão de Amir Haddad, iluminação de Maneco Quinderé, cenário de Ronald Teixeira e figurino de Beth Filipecki. A atriz interpreta Clarice Lispector e três personagens da autora. Com poucos objetos no palco e trocando figurino em cena, Beth consegue fazer uma sutil passagem de Clarice para as personagens. 
"O que me levou a fazer Clarice Lispector no teatro foi o mistério do espelho, a identificação que sinto por ela. A vontade de trazer mais luz sobre esta mulher que revolucionou a literatura brasileira, redimensionou a linguagem falando do indizível com a delicadeza da música, usando a escrita como uma revelação, buscando o som do silêncio ou fotografar o perfume. “A arte é o vazio que a gente entendeu” diz Clarice. 
Quero atingir o vazio de mim mesma para refletir a profundidade desta mulher que conhece o segredo das palavras e suas dimensões. O questionamento, é a busca constante do artista diante de sua escolha, como ela, eu gosto de intensidades. 
Há dois anos mergulhei num processo de pesquisa para escrever este roteiro lendo tudo o que podia de sua obra e livros biográficos. Fiz dois workshops com Daisy Justus, psicanalista, especializada em Clarice Lispector, que analisa sua obra sob a ótica da psicanálise. Vi e ouvi tudo o que podia sobre ela, suas entrevistas, fotos, o depoimento no MIS, a entrevista póstuma na TV Cultura, enfim me tornei uma esponja de tudo o que se referia a ela. 
este olhar apaixonado escolhi sua obra para recontá-la. Construí um corpo narrativo com trechos de entrevistas, depoimentos e correspondências que preparam os personagens que irão se apresentar ao público como desdobramentos dela mesma. Os temas abordados são reflexões sobre criação, vida e morte, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, arte, loucura, amor, inspiração, aceitação e entendimento. 
Clarice é muito pessoal em seus escritos e todos os seus personagens tem algo de si mesma. Acho que Joana de “Perto do coração selvagem” talvez seja a mais parecida com sua essência criativa e indomável. Ana do conto “Amor” é a dona de casa e mãe dedicada que Clarice certamente foi. Lori de “Uma Aprendizagem ou O livro dos prazeres” vive em cena as descobertas do amor e A Mulher do conto “Perdoando Deus” é uma bem humorada auto-critica."Beth Goulart 
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." 
"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.".. 
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." 
"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que digo."
Escrito por Morgânia às 17h44
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A hora da estrela – Clarice Lispector
- Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho. p.11
- Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. p.11
- ... Ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino. Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa? p.15
- É que “quem sou eu” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto. p.15
- Será mesmo que a ação ultrapassa a palavra? Mas que ao escrever – que o nome real seja dado às coisas. Cada coisa é uma palavra. E quando não se a tem, inventa-se. Esse vosso Deus que nos mandou inventar. p.17
- Por que escrevo? Antes de tudo porque captei o espírito da língua e assim às vezes a forma é que faz conteúdo. p.18
- Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. P.18
- Jamais se esquece a pessoa com quem se dormiu. O acontecimento fica tatuado em marca de fogo na carne viva e todos os que percebem o estigma fogem do horror. p.18
- Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados. p.19
- Tudo isso, sim a história é história. Mas sabendo antes para nunca esquecer que a palavra é fruto da palavra. A palavra tem que parecer com a palavra. Atingi-la é o meu primeiro dever para comigo. E a palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã, tem que ser apenas ela. p.20
- Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui. p.21
- Pois como eu disse a palavra tem que se parecer com a palavra, instrumento meu. Ou não sou um escritor? Na verdade sou mais ator porque, com apenas um modo de pontuar, faço malabarismos de entonação, obrigo o respirar alheio a me acompanhar o texto. p.23
- O definível está me cansando um pouco. Prefiro a verdade que há no prenúncio. p.29
- Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá para si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é supérfluo para quem tem uma leve fome permanente. p.30
- Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta. p.30
- É. Eu me acostumo mas não amanso. Por Deus! Eu me dou melhor com os bichos do que com gente. p.32
- Quanto a mim, só me livro de ser apenas um acaso porque escrevo, o que é um ato que é um fato. É quando entro em contato com forças interiores minhas, encontro através de mim o vosso Deus. Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro. P.36
- Que os mortos me ajudem a suportar o quase insuportável, já que de nada me valem os vivos. p.42
- Mas quem sou eu para censurar os culpados? O pior é que é preciso perdoá-los. É necessário chegar a tal nada que indiferentemente se ame ou não se ame o criminoso que nos mata. Mas não estou seguro de mim mesmo: preciso perguntar, embora não saiba quem de vós me trucida. E minha vida, mais forte do que eu, responde que quer porque quer vingança e responde que devo lutar como quem se afoga, mesmo que eu morra depois. Se assim é, que assim seja. p.81
Escrito por Morgânia às 22h17
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Indo para Natal
Daqui a pouco vou para Natal passar uma semana num curso para professores de espanhol. Fazia tempo que eu não dava uma respirada fora. A última foi em janeiro do ano passado quando fiz o Curso Interuniversitário em João Pessoa. Tenho a impressão que esse, de Natal, será uma "condensação" porque o de Jampa foram duas e será ministrado também pelo pessoal do Instituto Cervantes. Pero bueno...Desta vez me preparei: vou levando o material que utilizo nas aulas, o Marco Común Europeo, a publicação da lei do espanhol y otras cositas más...Ah, arrumei todas as gavetas. Mania minha quando vou viajar de não deixar nada para trás desarrumado. Não preciso dizer que quando comuniquei aos alunos foi alegria geral. Não faltaram aquelas grosserias como "pode ficar por lá" e ainda: "professora, como é que se diz em espanhol vá, mas não volte?" Haja paciência, sangue frio e muito suco de maracujá! Eu poderia simplesmente deixar que na semana seguinte eles fossem à Coordenação perguntar por mim, mas como sou do jeito que sou, dou satisfação, explico o que é o curso, deixo atividades para serem feitas no período etc, etc, etc. A parte boa disso tudo é que preciso imensamente dessa arejada na mente, pois já estava al borde de un ataque de nervios. Para não fugir à regra de tudo que me acontece na vida, fazer esse curso em Natal não foi assim tão simples e descomplicado. Para começar, num certo domingo recebo um telefonema de uma colega indagando-me sobre um curso que seria no mês de maio em Natal. Eu não sabia de nada. Na segunda-feira, a diretora avisa-me que será em junho na cidade de Mossoró , questiono por que não em Natal e ela não sabe explicar. Começo a pesquisar e encontro no site do jornal Tribuna do Norte que " Governo incentiva o ensino do espanhol promovendo em parceria com a Embaixada da Espanha um curso para 40 professores de Natal e 40 de Mossoró." O quê?????? E o resto? É só resto mesmo? Não existem professores de espanhol em outras cidades, não ???? Volto à diretora e pergunto de novo porque não posso fazer em Natal e ela não sabe explicar. Entonces, simplesmente dirijo-me ao Excelentíssimo Senhor Secretário através do "emílio" (no domingo seguinte) e peço autorização para frequentar o curso em Natal porque lá tenho familiares e em Mossoró seria mais dispendioso com hospedagem etc, etc, etc. Quando chego à escola e já vou comentando a minha "ousadia", a diretora diz que que a coordenadora do ensino médio avisou que agora eu poderia ir para Natal porque "as vagas não tinham sido preenchidas". Ah, tá, só por isso não é? Mais tarde, quando estou em casa de volta da escola e já me preparando para (de novo) voltar à escola, o telefone toca e é a diretora dizendo que a coordenadora ligou novamente muito constrangida, pois o Secretário foi questioná-la porque a professorinha de Caicó não poderia fazer o curso em Natal quando ela já havia "autorizado" e me pediu para que eu escrevesse de novo para o secretário me desculpando, por ter me adiantado blá blá blá.... Enfim, estou indo para Natal. 
Escrito por Morgânia às 08h32
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Coisas dos outros que tomei para mim
"Decífra-me ou te devoro." Enigma da Esfinge
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"De perto, ninguém é normal." Caetano Veloso ^~^~^~^~^~^
"Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter uma velha opinião formada sobre tudo." Raul Seixas ^~^~^~^~^~^ "Aprendi com a primavera a me deixar cortar e a voltar sempre inteira." Cecília Meireles ^~^~^~^~^~^ “Na hora, digo o que penso, boto para fora. Uso a emoção. Se alguma coisa me excita, falo excitado.Se me agridem, passo a agredir. Mas não sinto raiva ou ressentimento.”J.Lutzsenberger ^~^~^~^~^~^
“Quarenta anos. Quarenta e um. Minha velhice germinava. Espreitava-me no fundo do espelho. O que me deixava tão estupefata era que viesse a mim num passo tão decidido, enquanto nada em mim estava de acordo com ela.” Simone de Beauvoir
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Com licença poética - Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
^~^~^~^~^~^ Entre Você e Deus
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil assim mesmo. Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo. Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo. Seja honesto e franco assim mesmo. O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo. Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja. Seja feliz assim mesmo. O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja você que, no final das contas, é entre você e Deus. Nunca foi entre você e as outras pessoas.
Madre Teresa de Calcutá
Escrito por Morgânia às 07h28
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Seguindo em frente
Eu me considero uma professora que é, ao mesmo tempo, educadora. Por isso fico tão abalada quando não consigo dar uma boa aula pelo triste fato de que grande parte do alunado não permite. Como fico triste por ter que lidar mais com os alunos piadistas e até, grosseiros, do que com aqueles que demonstram um interesse genuíno em aprender e prestam atenção fazendo perguntas que enriquecem a minha exposição. Às vezes, penso que eu deveria não me deixar atingir por esses alunos que passam o tempo todo atrapalhando a aula com atitudes de desrespeito, desprezo, indiferença e com ofensas e provocações com os colegas.
A gente se acostuma com muita coisa para evitar outras tantas, mas não me acostumo nunca com isso. Ser chamada de "comadre", tratada com grosseria. Vê-los fazendo atividades de outras matérias, fones nos ouvidos, conversas de todo tipo em toda altura no mesmo instante em que estou tentando explicar um assunto. A falta de querer adquirir cultura, o desprezo por alguém mais velho e experiente com quem poderiam aprender tanta coisa. O que me consola é que, no meio disso tudo, ainda surge um pequeno bálsamo para essa ferida tão exposta. O que me impulsiona é ainda aquela grande vontade que sinto de fazer a diferença e, quando percebo que alguém foi atingido, renovo as minhas forças e sigo em frente. Que grata surpresa encontrar uma linda rosa vermelha com um singelo e carinhoso cartão na minha bolsa... 

Escrito por Morgânia às 23h28
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Desabafo
Quando eu estava no curso de pós graduação “Especialização em Linguística e Ensino da Língua Materna”, havia uma colega -funcionária da Justiça- que estava fazendo o curso porque esse título iria representar um aumento de duzentos reais em seu salário. Assim: limpo e seco. Então, ao deparar-me com o meu contracheque e vejo a gratificação por título de seis reais e quarenta e três centavos, fico refletindo que essa irrisória quantia representa o reconhecimento e o estímulo do governo para o professor que buscou aperfeiçoamento e uma melhor qualificação profissional. Eu me orgulho em dizer que gastei, no mínimo, mil vezes mais. No entanto, quanto me entristeço e me revolto.
Escrito por Morgânia às 13h07
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Nasceu na Suíça, numa região de idioma italiano em 29 de maio de 1892. Imigrou com seus pais para a Argentina em 1896. Em 1901, mudou-se para a cidade de Rosário, estudou Magistério na Escola Normal e foi professora de Arte Dramática, fez algumas incursões pelo teatro, mas ficou conhecida pelos seus livros de poemas. Aos 20 anos torna-se de mãe daquele que será seu único filho e companheiro inseparável, Alejandro. Começou sua carreira literária em 1916 com “La Inquietud del Rosal” onde retoma as sugestões intimistas e sentimentais de um pós-romantismo. Em 1918 publica “El Dulce Baño”, em 1919, “Irremediablemente” e “Languidez”, em 1920. Entre 1930 e 1934, realizou viagens pela Europa as quais influenciaram muito em sua obra somando a isso, sua turbulenta vida amorosa e sua luta pelo papel da mulher na sociedade da época além de desenvolver o tema da sinceridade erótica. Nesta época, publicou “Mundo de Siete Pozos”, (1934) e “Mascarilla y Trébol” (1938). Escreve com menos regras, com expressão livre e sem preconceitos. Suicidou-se em Mar del Plata, sentindo-se impotente ante à dor produzida por um câncer no seio. Na noite anterior à sua morte, escreveu um poema que enviou ao diário argentino La Nación o qual foi publicado junto com seu obituário: “Voy a dormir” e, acredita-se que estava dirigida a seu filho. Mercedes Sosa, cantora popular argentina tornou muito conhecida uma canção intitulada “Alfonsina y el Mar”.
Escrito por Morgânia às 13h02
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Alfonsina y el mar – Ariel Ramírez y Félix Luna
Por la blanda arena Que lame el mar Su pequeña huella No vuelve más Un sendero solo De pena y silencio llegó Hasta el agua profunda Un sendero solo De penas mudas llegó Hasta la espuma.
Sabe Dios qué angustia Te acompañó Qué dolores viejos Calló tu voz Para recostarte Arrullada en el canto De las caracolas marinas La canción que canta En el fondo oscuro del mar La caracola.
Te vas Alfonsina Con tu soledad ¿Qué poemas nuevos Fuiste a buscar? Una voz antigua De viento y de sal Te requiebra el alma Y la está llevando Y te vas hacia allá Como en sueños Dormida, Alfonsina Vestida de mar.
Cinco sirenitas Te llevarán Por caminos de algas Y de coral Y fosforescentes Caballos marinos harán Una ronda a tu lado Y los habitantes Del agua van a jugar Pronto a tu lado.
Bájame la lámpara Un poco más Déjame que duerma Nodriza, en paz Y si llama él No le digas que estoy Dile que Alfonsina no vuelve Y si llama él No le digas nunca que estoy Di que me he ido.
Te vas Alfonsina Con tu soledad ¿Qué poemas nuevos Fuiste a buscar? Una voz antigua De viento y de sal Te requiebra el alma Y la está llevando Y te vas hacia allá Como en sueños Dormida, Alfonsina Vestida de mar.
Escrito por Morgânia às 21h49
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VOY A DORMIR – Alfonsina Storni
Dientes de flores, cofia de rocío, manos de hierbas, tú, nodriza fina, tenme prestas las sábanas terrosas y el edredón de musgos escardados.
Voy a dormir, nodriza mía, acuéstame. Ponme una lámpara a la cabecera; una constelación; la que te guste; todas son buenas; bájala un poquito.
Déjame sola: oyes romper los brotes... te acuna un pie celeste desde arriba y un pájaro te traza unos compases
para que olvides... Gracias. Ah, un encargo: si él llama nuevamente por teléfono le dices que no insista, que he salido...
Escrito por Morgânia às 21h45
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Canción Tonta

Madre y niño
Mamá.
Yo quiero ser de plata.
Hijo,
tendrás mucho frío.
Mamá.
Yo quiero ser de agua.
Hijo,
tendrás mucho frío.
Mamá.
Bórdame en tu almohada.
Eso sí!
Ahora mismo!
Frederico Garcia Lorca
Escrito por Morgânia às 21h58
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A solidão é fera, a solidão devora.
Sozinha em casa. Planejando as aulas de amanhã. Espero que tudo ocorra como o planejado. Ainda bem que deu certo a reserva do data-show. Tenho que agradecer a Jean, pois se não fosse a sua eficiência e a atenção comigo, teria que refazer muita coisa. E o fato de ele lembrar que eu tinha que levar os arquivos em CD porque não há entrada para pen-drive na CPU? ¡Estupendo! É, a orientação do trabalho sobre os pintores célebres da cultura hispano-americana sem a apresentação dos slides não teria o mesmo impacto. Só tomara que os efeitos que configurei possam ser visualizados.
Na próxima semana já haverá apresentação na primeira escola. Veremos. O que tiver de ser, será. Afinal, as orientações foram dadas, exemplificadas, etc. Capacidade de produzir um bom trabalho, todos têm e o que pode faltar, e infelizmente vai ser comprovado, é a falta de interesse. O que me consola é saber que, dentre tantos, poderá existir alguém que aprenda muito com o seminário, que cresça culturalmente e que reconheça a importância desse estudo.
Por enquanto, o que tiro de mais positivo desse projeto é que me apaixonei pela obra de Oswaldo Guayasamín. Não consigo acreditar que até hoje eu não sabia da existência desse pintor e escultor equatoriano. E, ainda por cima, com uma história pessoal incrível. De origem humilde, filho de índio com mestiça, com uma posição política libertária, chegar aonde chegou com a sua obra. Isso só confirma o quanto é enriquecedor estudar o idioma espanhol.

Oswaldo Guayasamín.(1919-1999)

Maternidad

Las manos de la protesta

Niña llorando

Meditación
Escrito por Morgânia às 16h32
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O meu nome é de flor


Esta é a flor Morgania, sinonímia de Stemodia, gênero botânico pertencente à família Plantaginaceae e é composta por 127 espécies. Não sei o que isso quer dizer, mas fazendo uma busca no Google encontrei essa informação na Wikipedia. Vi até um mapa da Austrália onde a flor ocorre mais...Sempre quis saber informações sobre o meu nome. Minha mãe sempre me disse que queria colocar Morgana, mas o meu pai, que sempre ia embriagado registrar os filhos escreveu Morgânia. Não posso garantir se essa é a história, só sei que a contei para ninguém menos que o escritor uruguayo Eduardo Galeano, quando o mesmo ao autografar um livro para mim perguntou-me ¿Por qué Morgania? Ele adorou a história e deu uma boa gargalhada.

Besitos de Eduardo Galeano
Bem, o fato é que fiquei muito feliz ao encontrar isso aqui vagando pela Internet: o meu nome é de uma flor! E, ainda por cima, tem a cor que mais gosto.Que singelo! Havia muitas informações em outro site, mas como o texto é em inglês, vou esperar que Tiago traduza para mim. Neste fim de semana ele estará em casa. Parece que começou a sentir saudades de mim.
Escrito por Morgânia às 19h37
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Tipos de Mãe:
* MÃE MORRO DA MANGUEIRA: é aquela que é pobre, mas tem filhos ilustres. * MÃE FUSQUINHA: é aquela que está velhinha, acabadinha, mas é útil para a família inteira. * MÃE SUÍÇA: é aquela que ninguém sabe onde ela esconde o dinheiro. * MÃE GELADEIRA VELHA: é aquela que é ruim, mas é a única que a gente tem. * MÃE D'ÁGUA: é aquela que chora à toa. * MÃE SIRENE DE AMBULÂNCIA: é aquela que assusta todo mundo. * MÃE IMPOSTO DE RENDA: é aquela que antes de chegar todo mundo está falando mal dela. * MÃE PARALAMAS DO SUCESSO: é aquela que usa óculos. * MÃE CHATA: é a mãe dos outros! * MÃE MIKE TYSON: é aquela que briga com toda família e depois vai a missa rezar. * MÃE CHEQUE ESPECIAL: é aquela que socorre todo mundo no fim do mês. * MÃE ASSALTO A MÃO ARMADA: é aquela que só gosta de presentes caros. * MÃE IOGURTE DE MORANGO: é aquela que a vida para ela sempre foi cor-de-rosa. * MÃE BANHEIRO DE AVIÃO: é aquela que está sempre apertada, mas é na casa dela que a gente vai em caso de necessidade. * MÃE BICICLETA: se você tem uma muito boa em casa, agradeça a seu pai. * MÃE CESTA DE CAFÉ DA MANHÃ: é aquela que só chega na nossa casa de surpresa. * MÃE RAÇÃO ANIMAL: é aquela dura de engolir, mas muito elogiada. * MÃE MATEMÁTICA: é aquela que soluciona todos os problemas. * MÃE BACALHAU: é aquela que a gente só vê na semana santa. * MÃE CELULAR: é aquela que quando a gente precisa dela, não consegue falar. * MÃE CHINELO DE DEDO: é aquela que nunca vai a festas. * MÃE CARNAVAL PAULISTA: é aquela que a cada ano vai melhorando um pouco. * MÃE RODOVIA: é aquela cheia de defeitos, mas a gente acredita que um dia vai melhorar. * MÃE POLICIA FEDERAL: é aquela que não gosta de ser enganada. * MÃE PRESÍDIO: morar perto dela é o maior sofrimento. * MÃE PLAYCENTER: é aquela que a garotada adora a casa dela para brincar. * MÃE SHAMPOO: é aquela que quando está errada, deixa a gente de cabelo em pé. * MÃE TIARA: é aquela que a gente está sempre com ela na cabeça. * MÃE DOLLY: é aquela que nunca precisou de seu pai pra nada. * MÃE MOCHILA: é aquela que você carrega porque não tem outro jeito. * MÃE CARTÃO DE CRÉDITO: é aquela que ajuda muito, mas era melhor se ficasse em casa. * MÃE PAPAI NOEL: é aquela que enche o saco. * MÃE CEBOLA: é aquela que faz a gente chorar sem necessidade. * MÃE LANTERNA: é aquela que quando a gente menos espera, está precisando dela. * MÃE SECADOR DE CABELO: é a única que não fala mal de ninguém no cabeleireiro. * MÃE ALARME: é aquela que cuida da nossa casa quando a gente vai viajar * MÃE VESTIBULAR: é aquela que deixa todo mundo nervoso * MÃE PANELA DE PRESSÃO: é aquela que quando explode todo mundo sai de perto dela. * MÃE BANDEIRA NACIONAL: é aquela que ninguém consegue dobrá-la direito * MÃE ENCICLOPÉDIA: é aquela que sabe tudo. * MÃE COTONETE: é aquela que quando a gente não tem, faz muita falta. * MÃE DETETIVE: é aquela que descobre sempre onde o filho está. * MÃE SUPERMERCADO: é aquela que está sempre economizando. * MÃE ALMOFADA: é aquela que a gente encosta nela e não ouve nenhuma reclamação. * MÃE GUARDA-SOL: é aquela que a gente só leva para a praia por necessidade. * MÃE BICAMA: é aquela que em caso de necessidade se desdobra em duas.
Escrito por Morgânia às 19h03
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Um pouco de Clarice, muito de mim.

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma". Clarice Lispector
Escrito por Morgânia às 22h08
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Filme com arte
Depois que me vi livre das obrigações profissionais (finalmente terminei de elaborar três provas), estirei-me no sofá para ver um filme. Em meio a tantas reprises, escolhi rever Thomas Crown - A arte do crime no AXN. Na verdade, gosto deste filme, não só pelo Pierce Brosnan, pois vejo todos os filmes dele principalmente por todo aquele charme e René Russo (belíssima, numa excelente atuação). Aliás, a química dos dois no filme é explosiva, diga-se de passagem. Impressionante!

Mas o que me atrai de verdade é a inserção de arte, uma vez que muitas cenas são passadas num museu já que o personagem de Brosnan rouba espetacularmente em plena luz do dia, um quadro de Monet. É a pintura do parlamento inglês ao pôr-do-sol.

A cena em que Thomas Crown vai devolver a tela é memorável. Ele se caracteriza como o homem do chapéu-coco da tela de Magrite e fica impossível para a polícia identificá-lo porque ,de repente, surgem vários outros igualmente vestidos. É uma delícia acompanhar a perseguição ao som de Sinnerman na voz de Nina Simone.

E a tela que aparece também no filme.

Fiz uma pesquisa e descobri que em 1968, Norman Jewison dirigiu o filme Crown, o Magnifíco com Steve McQueen e Faye Dunaway, esta, inclusive, participa do atual(1999) no papel de analista de Crown. Só que o atual, cujo diretor é John McTiernan, não pode ser considerado uma refilmagem. É que no primeiro o roubo ocorre num banco, mas a essência é a mesma: um milionário que rouba de maneira requintada mais pelo prazer de correr riscos e enganar a polícia. Há também uma história de amor verdadeiro. Fiquei morrendo de vontade de ver o antigo que até ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor canção.
Escrito por Morgânia às 20h07
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